segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Raças - Persa

A história dessa raça tem início no século XVII, quando um viajante italiano chamado Pietro Della Valle passou pela Pérsia (atual Irã) e trouxe consigo alguns dos belos gatos que andavam pelas ruas locais. Ao chegar à Itália, imediatamente esses gatos ganharam a simpatia das pessoas devido a sua pelagem macia e brilhante
Porém, a moderna raça persa surgiu somente no século XIX, quando esses gatos criados na Itália foram levados a Inglaterra, onde sofreram cruzamentos com gatos da raça angorá. Logo em seguida foi feito um trabalho de melhoramento genético visando se obtiver maior variedade de cores e padrões de pelagem
Pode ser facilmente reconhecido entre as demais raças de gatos.. 
O gato persa é caracterizado por ser "caseiro". Gosta do ambiente familiar e não costuma passear tanto quanto o Siamês. Ao longo dos anos o perfil morfológico da raça modificou-se com a seleção de gatos com a cabeça mais arredondada e o focinho
Devido ao seu vasto pêlo, este gato tornou-se mais valioso. Ele costuma ser muito querido (especialmente com as crianças O único trabalho que ele dá é o constante tratamento que o seu pêlo necessita. Este gato está listado como o gato mais amado na América. É a raça preferida no mundo todo e a mais geneticamente alterada pelo homem.
O persa foi usado, e serve ainda, no mundo todo, para o desenvolvimento de outras raças. Algumas das raças que possuem linhagem persa são o Himalaio (persa tipo color point), o Exótico (persa de pêlo curto), o Sagrado da Birmânia, o Selkirk e o Pêlo Curto Britânico, entre outros.
A primeira aparição do Persa foi em uma exposição na Inglaterra, em 1871. De lá para cá muitas coisas mudaram em seu padrão racial.
Infelizmente, além das características desejáveis que os criadores buscam ao realizar o cruzamento com determinada linhagem, as características indesejáveis também podem estar presente no final do processo. Assim, estas raças, bem como a persa, tem grande prevalência de problemas renais, e a patologia mais observada nestes gatos, sobretudo nos machos, é a PKD, ou "Doença do Rim Policístico". Com a existência de teste genético para PKD, atualmente é fácil selecionar animais negativos para a mutação.
O excessivo e progressivo achatamento do focinho começou a ocasionar problemas de saúde e em 1993, preocupados com isso, as associações de criadores em todo mundo passaram a evitar a produção de Persas com a cara achatada demais. Os graves problemas de saúde devido ao focinho excessivamente achatado são:
- Prejuízo à respiração pelo estreitamento das narinas; Rinite alérgica;
- Irritação e infecção ocular por causa de ductos lacrimais estreitos ou sem orifício; 
- Diminuição do tamanho do crânio e conseqüente subdesenvolvimento do cérebro, causando danos neurológicos, como problemas locomotores.
- Deslocamento dos maxilares, causando abertura permanente da boca.
Outro problema comum na raça são problemas de parto, devido ao tamanho da cabeça do filhote e também o formato da pelve das fêmeas (dolicopelvicas). Os filhotes costumam ter problemas para passar pelo canal do parto devido a cabeça muito larga. Sendo assim o parto deve ser acompanhado de um veterinário.
A pelagem demanda cuidados diários, como escovação. A tosa higiênica é uma boa opção para manutenção da assepsia do gato. Gatos extremados (com break muito pronunciado, ou seja, com o nariz muito afundado) exigem cuidados com os olhos. A obstrução do canal lacrimal pode ocorrer, e a limpeza dos olhos deve ser diária.
Tamanho: médio a grande. Tipo brevilíneo, de corpo maciço. Os membros são curtos. A pelagem é muito comprida.
Peso:3,5 a 7 Kg.
Cabeça: redonda, maciça, abobadada. O crânio deve ser largo e redondo e a testa, arredondada. Bochechas: redondas e cheias.
·         Nariz: Largo e curto, com Break bem marcado entre os olhos.
·         O focinho deve ser curto e largo, e o queixo forte.
·         A mandíbula deve apresentar-se larga e forte.
·         Orelhas: pequenas, arredondadas nas pontas, distantes uma da outra, com pelagem proeminente.
·         Os olhos devem ser grandes, redondos, distantes, e de cor intensa e profunda, sendo geralmente ouro a cobre, ou verde nos chinchilas, silver e golden; azul nos colourpoint; odd-eyed em alguns brancos.
Pescoço: curto e forte.
Corpo: médio a grande, maciço. A ossatura deve ser curta e maciça, com musculatura bem desenvolvida.
Patas: curtas, fortes, paralelas. Pés devem ser redondos, largos, fortes, com tufos de pelos entre os dedos.
Cauda: curtas proporcional ao corpo, com pêlos longos
Pelagem: deve ser cheia, densa, sedosa.
Existe um grande número de cores e desenhos de pelagem para os Persas. No início, só haviam cores sólidas. Atualmente já são reconhecidas mais de 100, variando desde o branco neve até o malhado (casco de tartaruga), criadas por mutações espontâneas e cruzamentos dentro das própria raça ou fora dela. Isso faz do persa o gato com maior variedade de cores entre todas as raças.
Temperamento: é um gato dócil, calmo, sociável, afetuoso, tranqüilo. Convive bem com outros animais.
Penalidades: cabeça comprida ou estreita; nariz comprido; focinho estreito; prognatismo evidente (+3mm); orelhas grandes e pontudas, próximas uma da outra; olhos pequenos, de cor muito pálida (amarelo claro); cauda muito longa; pés ovais; malformações na cauda ou mandíbula.

NOTA DA ESCRITORA: Brincadeiras a parte, falamos na clínica que quando compramos um persa ele vem junto um KIT PERSA, pois devido tudo que conversamos acima ele é predisposto a diversas doenças como as doenças respiratórias devido seu focinho achatado, alterações renais (PKD), alterações oculares e a grande predisposição a dermatofitose...
            Normalmente, nessa raça a cor branca associada a presença de olhos azuis está geneticamente relacionada a problemas de audição no animal. Os gatos brancos com apenas um dos olhos azuis pode ser surdo de apenas um ouvido, enquanto que os espécimes com ambos os olhos azuis acabam não possuindo nenhuma audição.
Mas apesar de tudo isto é uma raça adorável, ótima para pessoas tranqüilas e que gostam do animal sempre calmo e bem caseiro.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Raças - Introdução

Olá a todos!!
Desculpe o tempo sumida...
Mas depois de muito esforço, cansaço e noites sem dormir... Agora sim posso dizer que sou Especializada em Medicina de Felinos.
Bom, dando continuidade no meu blog, irei inicialmente postar toda semana um breve comentário sobre as principais raças criadas aqui no Brasil. Existem atualmente mais de 250 raças de gatos, distintas entre si pelo tamanho, tipo e cor de pelagem, temperamento e outras características.
Algumas delas surgiram naturalmente como gatos domésticos, e mais tarde foram padronizadas e oficializadas. Outras foram produzidas a partir da manipulação de cruzamentos por criadores que buscavam chamar a atenção para determinada característica.
Estas raças podem ser categorizadas ou divididas em grupos, como "Pêlo Curto","Pêlo Semi-longo" e "Pêlo Longo". As raças de pêlo semi-longo e longo exigem cuidados diários ou semanais, como escovação.
Qualquer gato de raça atinge seu desenvolvimento ótimo quando são combinadas duas características: uma boa genética e um bom ambiente. A genética depende das linhagens paternas e maternas, e determina padronização de cor e marcação do pêlo, além da cor dos olhos. Características como peso e tamanho são determinadas pela adição da genética e do meio ambiente.
Além das raças reconhecidas, há os mestiços ou SRD (sem raça definida), ou vira-latas. Muito mais comuns que os gatos com pedigree reconhecido, são facilmente encontrados habitando áreas rurais e urbanas. São também animais de estimação e tem a vantagem de serem mais vigorosos e resistentes à algumas doenças, por sua seleção na natureza. Entretanto, não se pode determinar a partir do filhote como o gato será quando adulto ou seu temperamento, diferente do que ocorre com os gatos de raça.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dia de Reis - 06 de Janeiro

Aproveitando a ocasião, Dia de Reis, que é festejada em outro países.




E mais um bônus . . . . . o bobo da corte.

FELIZ 2012

Olá a todos!!!
Desejo a todos que 2012 seja repleto de muita paz, tranquilidade e mais compressão no coração de todos.
Que possamos neste ano dividir mais experiência sobre a medicina de felinos e aprendermos mais e mais sobre esta espécie encantadora.
FELIZ 2012 !!!
QUE NOSSOS GATINHOS TAMBEM POSSAM TER UM ANO MARAVILHOSO E QUE POSSAM SER MAIS COMPREENDIDOS!!!!


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Tentando Desmestificar a Transfusão em Felinos

O mais importante sistema de grupos sanguíneos em gatos é o sistema AB. Este sistema possui três tipos sanguíneos: A, B e o AB. A freqüência dos tipos sanguíneos em gatos varia muito de acordo com a raça e a localização geográfica. Recentemente outro antígeno foi descrito em gatos domésticos de pêlo curto nos EUA, o antígeno Mik.

Gatos examinados nos Estados Unidos foram quase exclusivamente tipo- A, e a prevalência de gatos tipo B varia muito de região para região e entre as raças. O tipo AB é extremamente raro (menos de 1% de todos os gatos). O tipo AB é encontrado apenas em raças de gatos com tipo sanguíneo B em suas populações.

            Os antígenos dos grupos sanguíneos possuem características hereditárias Mendeliana autossomal simples, onde A domina B. Os gatos tipo A podem ser homozigotos AA ou heterozigoto AB. Os animais tipo B são sempre homozigotos. O sangue tipo AB não é resultado de uma herança de codominância entre o tipo A e B. Apesar de diversos estudos de raças e análises de pedigree, o modo de herança do fenótipo AB ainda não foi esclarecido.

As raças Devon Rex, Cornish Rex, Pêlo Curto Britânico, Exótico de pêlo curto, Van Turco, Angorá Turco, apresentam uma prevalência de tipo B bastante alta, com porcentagem que variam de 30 a 60%. Por outro lado, a raça Siamesa e outras relacionadas com o Oriental de pêlo curto, assim como o Tonquinês possuem exclusivamente tipo sanguíneo A. No Brasil, poucos animais de raças puras foram estudados.

Os felinos, diferentemente dos cães, apresentam anticorpos de ocorrência natural contra o antígeno dos outros grupos. Apenas o felino AB não possui anticorpo de ocorrência natural, portanto pode receber sangue de todos os tipos do sistema e é conhecido como “receptor universal” entre os felinos. Desta forma, todos os gatos tipo sanguíneos B possuem aloanticorpos naturais contra células do tipo A, e todos os gatos do tipo A possuem aloanticorpos contra células do tipo B.

A incompatibilidade sanguínea, devido à presença de anticorpos naturais, pode causar reações potencialmente fatais. Todo gato tipo- B possuem grande quantidade de títulos anti- A e a ocorrência de hemólise pode ser resultado em severas reações transfusionais quando um gato tipo B recebe sangue tipo A. A meia-vida dos eritrócitos transfundidos entre gatos compatíveis é de 29 a 39 dias. A transfusão de sangue tipo A em um gato tipo B resulta em uma rápida destruição do sangue do doador (diminuição da meia-vida para cerca de 1,3 hora) e aparecimento de severos sinais clínicos como a hipotensão, defecação, vômito, hemoglobinemia, depressão neurológica, e até mesmo a morte. Já uma transfusão de sangue tipo B em um gato com sangue tipo A produz sinais clínicos leves, a meia-vida dos eritrócitos transfundidos é de 2,1 dias. Devido à presença destes anticorpos de ocorrência natural, a prova de compatibilidade sanguínea deve ser realizada antes da primeira transfusão, especialmente nas raças de alta incidência do tipo B e AB.

O conhecimento da distribuição dos grupos sanguíneos na população local de felinos pode auxiliar na determinação do risco da ocorrência de reações transfusionais, enquanto que o conhecimento dos títulos de aloanticorpos pode auxiliar na determinação da severidade destas reações.

Como reações transfusionais fatais comumente ocorrem nos gatos do tipo B que estão recebendo sangue do tipo A, os gatos de qualquer uma das raças já listadas devem ter o sangue tipado e serem submetidos à reação cruzada antes de se administrar uma transfusão.

Assim, a tipagem sanguínea e/ou a prova de reação cruzada constituem procedimentos indispensáveis para assegurar a compatibilidade entre os gatos.

ESCOLHA DO DOADOR

O doador felino ideal deve ter entre dois e cinco anos e peso acima de 4kg, sendo preferível um peso entre 5 e 7kg. Os doadores podem ser machos castrados e fêmeas nulíparas ou castradas. Os gatos machos são mais procurados por serem maiores.  Os gatos devem ser domiciliados, para minimizar o risco de doenças infecciosas. Devem possuir Ht maior que 30%, sendo o ideal Ht maior que 35%.       

O volume sanguíneo máximo a ser colhido em felinos é de 11 a 15mL/ kg. Esse volume representa uma maior porcentagem do volume sanguíneo total dos felinos em comparação à porcentagem do volume sanguíneo total dos cães. Por esta razão, gatos podem desenvolver hipotensão como reação adversa após a doação. Como outra complicação que o doador de sangue felino pode apresentar pode citar as reações adversas devido a uma possível sedação durante a coleta do sangue, como a indução de lipidose hepática, falhas hepáticas e o choque hipovolêmico. Desta forma o doador deve ser observado durante quatro horas antes e depois da doação, particularmente para observar possíveis sinais de hipovolemia (taquicardia, extremidades frias, depressão e colapso). Uma medida que pode ser tomada é a administração de solução salina intravenosa ou mesmo subcutânea (cerca de 20mL/kg).

 Calcula-se o volume sanguíneo estimado de um gato com a seguinte fórmula:
Volume sanguíneo estimado (litros)= 0,055 – 0,065 x peso (kg)

Deve-se evitar escolher gatos braquicefálicos, como a raça Persa e o Himalaio para doar sangue, uma vez que a flebotomia parece ser mais difícil de ser realizada nessas raças. No entanto, em determinadas situações utilização destas raças muitas vezes torna-se inevitável como nos casos em que se necessita de sangue tipo B devido à alta prevalência deste tipo de sangue nessas raças.

A tipagem sanguínea é caracteristicamente feita em laboratórios de referência, mas hoje em dia um sistema simples de tipagem em cartão está disponível comercialmente para cães e gatos (Rapid- Vet-H feline e canine blood- typing cards; DMS Laboratories Flemington, New Jersey, EUA).

A compatibilidade entre o sangue de dois indivíduos é determinada através da “prova cruzada”. O sangue do doador é testado contra o sangue do receptor, para verificar a ocorrência de aglutinação das hemácias (formação de grumos – aglutinação), indicativa de incompatibilidade.  A prova cruzada não identifica os grupos sanguíneos, somente detecta a incompatibilidade entre o doador e o receptor.

A reação cruzada só mostra a presença de anticorpos contra hemácias, não detectando anticorpos contra leucócitos ou plaquetas. Anticorpos contra essas células podem causar reações transfusionais como a urticária.

COLETA DO SANGUE

Em gato pode ser utilizado seringas grandes (de 35 a 60mL) para coleta de sangue, devido a pequena quantidade de sangue retirado. Este sistema para gatos é considerado o mais simples.  Nesta seringa é adicionado o anticoagulante, para evitar a coagulação do sangue. O sangue é retirado por meio de um cateter borboleta calibre 19 inserido na veia jugular, este método é considerado como sistema aberto, desta forma há grande risco de contaminação bacteriana no sangue.

Na rotina normalmente utilizamos seringa de 10ml onde coloca-se 9 ml de sangue total para 1ml de anticoagulante (CPDA).

A maior parte dos gatos geralmente são sedados ou anestesiados para a doação de sangue, como exemplo, cetamina associado ao midazolan. Porém, alguns autores sugerem evitar o uso de clorpromazina e acepromazina porque estas diminuem a pressão sanguínea, além da última interferir com a função plaquetária. Quando for preciso sedar esses animais, devem-se escolher sedativos que minimizem a hipotensão.

Em cães e gatos o sangue pode ser administrado pela veia safena, cefálica antebraquial ou jugular, além da via intra-óssea, que podem ser utilizadas em pacientes pequenos ou neonatos, ou em pacientes com perfusão periférica deficiente.

Quando realizar a transfusão do sangue completo deve-se utilizar equipos apropriados, que contenham filtros para reter o sangue coagulado ou resíduo.

Nos primeiros 30 minutos da administração do sangue, deve-se manter uma velocidade inicial lenta (0,25mL/ kg) para observação de qualquer reação de incompatibilidade. Mais após este tempo a velocidade de administração recomendada é variável, mas não deve excede 22ml/kg/dia (mais de 20ml/kg/hora pode ser usados em animais mais hipovolêmicos)

Deve-se avaliar o hematócrito do animal transfundido antes e após a transfusão, para registrar a melhora relativa do paciente e para triar quanto à hemólise como indicador de incompatibilidade .

O volume da transfusão depende do Ht e das condições gerais do paciente. Como regra geral deve-se administrar 2mL/kg de sangue total para aumentar o Ht em 1%.  Outra forma para mensurar a quantidade de sangue necessário para transfusão está descrita na fórmula abaixo:

Volume (em litros) = peso x 70 x (Ht desejado – Ht receptor)
                                                 (Ht doador)

domingo, 23 de outubro de 2011

Deficiência de Tiamina (vitamina B1)

    Dois felinos pertencentes à mesma proprietária e sem acesso a rua, sendo eles machos, castrados, SRD e adultos (04 e 06 anos). Proprietária relatou que encontrou os animais prostrados, com dificuldade de locomoção, apresentando andar cambaleante. Refere hiporexia há três dias. Durante a anamnese a relatou ainda que os animais não tinham contato um com o outro, apesar de possuir aproximadamente 60 gatos. Proprietária relatou que a alimentação dos animais constituía-se principalmente de peixe e arroz, sendo oferecido eventualmente carne bovina.
Antes do início do tratamento.

     Animais apresentando ataxia, convulsão e tremor de intenção. Discreta lateralização da cabeça. Desidratação leve. O gato de 06 anos também apresentou nistagmo. A suspeita clinica direcionou-se para causas infecciosas ou nutricionais. Como a dieta dos animais era principalmente peixe (fonte importante de tiaminase) e os sinais clínicos apresentados pelos os animais eram condizentes com a literatura (inicialmente letargia e ataxia, evoluindo para ataxia vestibular bilateral, ventroflexão da cabeça, cegueira, demência, lateralização da cabeça, nistagmo e convulsão), optou-se por um diagnóstico clínico para a deficiência de tiamina. Os animais foram suplementados via fluidoterapia intravenosa com complexo B (1 ampola em 250ml de NaCl 0,9%) e por via oral com 19mg de Vitamina B1 (dose 2 a 4 mg/kg/dia), apresentando em menos de 24 horas significativa melhora em relação à ataxia e o tremor de intenção. Os animais foram liberados para casa com recomendação de fornecimento exclusivo de ração para gatos.
  
 Após 12 horas do início do tratamento.

      Segundo TAYLOR, 2010, esta deficiência altera o metabolismo de glicose no cérebro e leva ao desenvolvimento de encefalopatia e hemorragia dos núcleos do tronco cerebral. O diagnóstico presuntivo é baseado no histórico dietético, idade, sexo, raça e sinais clínicos dos animais, sendo apoiado pela remissão dos sinais 24 horas após a administração de tiamina.
LITERATURA CONSULTADA
Taylor, S.M.; Doenças intracranianas. IN: Nelson, R. W; COUTO, C. G. Medicina Interna de Pequenos Animais. 4 ed, 2010.
Norsworthy, G. D; Thiamine Deficiency. IN:_______. The Feline Patient, 4ed, 2011 

sábado, 15 de outubro de 2011

A História dos Gatos - O reencontro com os gatos

          Com o tempo, a Igreja também foi sendo mais tolerante à presença do gato, e a perseguição aos felinos foi diminuindo. Ao fim da Idade Média, a aceitação dos gatos nas residências teve um novo impulso, fenômeno que também se estendeu às embarcações, onde os navegadores os mantinham como mascotes. Conhecidos como gatos de navios, esses animais assumiam também a função de controlar a população de roedores a bordo da embarcação. Com o passar do tempo, muitos gatos passaram a ser considerados animais de luxo, ganhando uma boa posição do ponto de vista social, sendo até utilizados como "acessórios" em eventos sociais pelas damas. Nessa época, o gato começou a passar por melhoramentos genéticos para exposições, começando assim a criação de raças puras, com pedigree. Uma das primeiras raças criadas para essa finalidade foi a Persa, que ficou conhecida após sua introdução no continente europeu, realizada pelo viajante italiano Pietro Della Valle.
 
        No século XIX o gato foi exaltado nas artes por grandes nomes como, Victor Hugo e Bandelaire. Neste período, Isaac Newton, para maior conforto dos seus gatos, inventa a portinhola, que permitia que os gatos entrassem e saíssem de casa quando bem entendessem. Ainda neste século são aprovadas na Inglaterra as primeiras leis anti-crueldades, e fundadas as primeiras organizações em defesa do gato e de outros animais. Finalmente os gatos passariam a receber cuidados especiais. Mendel não estudou apenas ervilhas, mas também os gatos. O pai da genética ficou impressionado com a alta diversidade resultante dos cruzamentos e com certas permanências que lhe sugeriram a hipótese de dois fatores, um recessivo e outro dominante.

     Atualmente, os gatos são animais bastante populares, servindo ao homem como um bom animal de companhia, e ainda continuam sendo utilizados por agricultores e navegadores de diversos países como um meio barato de se controlar a população de determinados roedores. Apesar de domesticado, ainda possui características em comum com os seus parentes selvagens, como a técnica de caça. Gracioso, sociável, higiênico, inteligente e independente, passam cerca de 50% da vida em sono leve, 15% em sono profundo, e a maior parte dos 35% restantes, caçando, namorando, brincando e principalmente se limpando.

        Estima-se que existam hoje, só nos Estados Unidos aproximadamente 65 mlhões de gatos, um número que ultrapassa em larga escala o número de cães domésticos. O gato mais velho do mundo até hoje relatado foi o “Creme Puff” que chegou a seu 38o aniversário em agosto de 2005.

        Desta forma, hoje a população de gatos esta aumentando cada vez mais, superando em muitos locais a população de cães, tornando assim importantíssimo que profissionais tenham um conhecimento cada vez maior desta espécie. A medicina de felinos está ficando cada vez mais em evidência e os proprietários de gatos exigindo um maior cuidado e conhecimento, técnico e teórico, dos profissionais que cuidam de seus bichanos.